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Tubos Gigantes da Serra do Mar
História e Engenharia

 

Chamando a atenção dos moradores da Baixada Santista e mexendo com a imaginação dos visitantes que por lá passam, os oito longos tubos fincados há décadas na mata atlântica são muitas vezes centro de comentários e lendas sobre suas funções e existência. Há quem acredite que por eles passe petróleo (oleodutos), outros dizem que é gás (gasodutos), e até que se bombeia água do mar para o alto da montanha por eles.

 

Mas calma com todas essas teorias. Elas aguçam nossa imaginação, mas estão equivocadas, ou quase, a verdade é que a função dos dutos é gerar energia! E como isso acontece? Venha conosco embarcar nessa leitura descobrindo um pouco mais sobre a história e a engenharia em meados da década de 20.

 

No começo do século XX, com uma demanda de energia sempre maior do que a oferta, a Light (empresa de energia elétrica, que na época teve um acordo de concessão pela distribuição elétrica e iluminação pública em São Paulo) teve a ideia de construir uma grande usina hidroelétrica aproveitando a queda da Serra do Mar, onde havia um curso natural das águas do Rio das Pedras.  Nascia então a maior usina do hemisfério sul, a Usina de Cubatão.

 

Para que essa grande obra da engenharia fosse efetuada o rio foi represado no alto da serra, e dois tubos de água que desciam pela serra transportavam a água do rio até os geradores, utilizando a queda vertiginosa para ganhar alta pressão.

Com a demanda crescente por geração de energia elétrica a usina precisou de obras para sua ampliação, e foi a partir dai então que vieram os outros tubos que compõem o conjunto atual. É isto o que faz da usina ser uma grandiosa obra da engenharia que incluiu a mudança do curso do rio e a formação da represa Billings. O projeto de ampliação tinha o objetivo de conseguir mais água para alimentar a Usina de Cubatão através do bombeamento das existentes no Rio Tietê, isso por conta do seu afluente natural: o Rio Pinheiros. Então foi modificado o curso do rio (invertido entre 1930 e 1950), e o mesmo se tornou um canal e passou a bombear e extrair água através de duas estações de bombeamento na capital paulista.

 

Com esta ampliação, a usina passou de 2 máquinas para 14 máquinas, tendo o título de maior usina da América Latina até a construção da Usina de Furnas, em Minas Gerais. A ampliação da Usina de Cubatão ocorreu até 1950. Quem passa pela Serra do Mar e observa os 8 tubos não imagina que por dentro da montanha existem outras 6 tubulações que também transportam água para a hidrelétrica. Todo o conjunto de tubulações termina no interior de uma caverna onde os geradores estão instalados.

 

Uma teoria diz que estas tubulações subterrâneas foram construídas para proteger a usina, que foi atingida por bombas na Revolução de 1932. Contudo, a construção no modo subterrâneo foi para evitar a colocação de mais tubos ao longo da encosta, pois ancorar essa tubulação toda de forma segura na encosta foi muito complexo e exigiu muitos recursos financeiros. Na época da ancoragem dos primeiros tubos a usina contou com mão de obra externa, em que materiais para construção foram importados e havia a necessidade de uma mão de obra muito especializada devido à região totalmente despovoada e com muita dificuldade de acesso. Houve também na época uma série de problemas como consequência de um surto de malária.

 

Em fevereiro de 1964 a hidrelétrica passou a se chamar Henry Borden, uma homenagem ao advogado canadense que foi o mais alto executivo da Light entre 1946 e 1965. A Usina Henry Borden ainda gera energia e faz parte do sistema interligado sul-sudeste brasileiro. A usina sozinha tem uma capacidade de atender uma área de dois milhões de habitantes. A corrente de água dos tubos além de gerar energia também auxilia no abastecimento da Estação de Tratamento da Sabesp, localizada também em Cubatão.

 

 

 

 

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